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Mioma Uterino

Informações do Evento

Localidade: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo
Data: 06/07/2009
Período: das 11:00 às 12:00
Coordenador do Evento: Eduardo Sadao Yonamine
Palestrante(s): Dr. Tsutomu Aoki - Professor Adjunto da FCMSCSP, Chefe do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Santa Casa de São Paulo pela FCMSCSP e Chefe da Clínica de Endometriose do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da ISCMSP.

Detalhes do Evento:

1) O Prof. Dr. Tsutomu Aoki iniciou a videoconferência dizendo que iria falar mais sobre a parte de fertilidade e mioma, lembrando que nem sempre isso ocorre na prática, podendo causar algum malefício às pacientes;

2) Dr. Aoki começou apresentando o caso clínico: paciente MZ, 33 anos, casada, católica, branca, secretária, nível superior em administração e natural de São Paulo. Queixa: Ciclos menstruais hipermenorrágicos, dores no baixo ventre e desejo de engravidar há três anos. História pregressa: paciente relata que está casada há seis anos, nunca usou qualquer método contraceptivo e refere dois abortamentos (o primeiro, há cinco anos, com oito semanas de gestação, e o outro, há quatro anos, com doze semanas de gestação). Ambas as gestações foram confirmadas com exames plasmáticos do beta-HCG quantitativo e exames de ultrassonografia com BCF (batimento cardio-fetal) presentes na ocasião, que terminou com sangramento intenso e curetagem uterina. Evitou por um ano com métodos naturais. Há três anos deseja engravidar, apresentando ciclos menstruais hipermenorrágicos, caracterizados por fluxo aumentado, presença de coágulos, dismenorréia intensa, tendo usado Medroxiprogesterona 10 mg diários na segunda fase do ciclo menstrual e Ibuprofeno, com discreta melhora. Referiu presença de três nódulos maiores de mioma uterino, não sabendo detalhes quanto a sua localização e tamanho. O marido fez exames de espermograma, que estavam normais;

3) Dr. Aoki comentou que a paciente apresentava cefaléias esporádicas; aparelho gênito-urinário (polaciúria, nictúria uma a duas vezes, dores na relação sexual); aparelho locomotor (nada). AP: doenças próprias da infância. AF: mãe e irmã tiveram mioma, uma irmã teve endometriose. Antecedentes cirúrgicos: duas curetagens uterinas por ocasião dos abortos. Antecedentes ginecológicos: menarca aos doze anos; ciclo menstrual – 5/30 com fluxo aumentado com coágulos; dismenorréia. Antecedentes obstétricos: duas gestações e dois abortos;

4) Dr. Aoki passou a falar sobre o exame físico: BEG, descorada +/++, PA – 120/80 mmHg, FC – 80 bpm; abdômen – inspeção (nada); palpação – útero aumentado de volume (10 cm acima da sínfise púbica); superfície irregular com nodulações de até 4 cm, de consistência endurecida, discretamente doloroso. Exame ginecológico: inspeção estática (nada); inspeção dinâmica (nada). Especular: colo com orifício externo puntiforme, voltado para a parede vaginal posterior; conteúdo vaginal de aspecto normal. Toque vaginal: colo uterino cilíndrico cônico, endurecido, voltado para a PVP, útero aumentado de volume, para 12 cm, endurecido, com superfície irregular às custas de nodulações de vários tamanhos, ocupando toda a pelve, de difícil mobilização. Exames complementares: Hb – 10,8 mg/dl; Ht – 38 (demais exames normais); CA 125 – 45 U/ml. Ultrassonografia pélvica transvaginal: útero com 13,5 x 8,4 x 7,3 cm de volume; 530 cc; presença de três nódulos maiores, sendo o maior IM – SS fúndico com 4,2 cm; o outro IM – SM – parede lateral direita, fazendo abaulamento na cavidade endometrial com 4 cm; o terceiro IM – SM e SS com saliência para cavidade endometrial; presença de outros nódulos menores sugestivos de mioma;

5) Dr. Aoki indagou se leiomioma causa infertilidade. Ressaltou ainda que, quando o nódulo é da cavidade ou intramural, fazendo saliência para a cavidade endometrial, ou estando perto das tubas uterinas, ou a associação de vários nódulos distorcendo toda a anatomia, além da dinâmica uterina, podem ser fatores importantes ligados à infertilidade. Mesmo o nódulo bimioma subseroso de grande volume, mudando todo o posicionamento do útero, pode provocar infertilidade. Segundo levantamento, 82,4% das portadoras de mioma também têm endometriose;

6) Dr. Aoki comentou que o tratamento clínico não é realizado para acabar com o mioma, mas sim visando o bem estar da paciente antes de qualquer intervenção cirúrgica, principalmente, quando há alterações hematológicas importantes. O tratamento cirúrgico pode ser de grande importância, sendo conservador (miomectomia) ou radical (histerectomia). Outro recurso utilizado é embolização. Em relação ao ato cirúrgico, é importante sempre pensar que, quando há um nódulo subseroso de até 4 cm, é recomendável. Já quando há vários nódulos, deve-se orientar a paciente da melhor forma para saber a opção de cirurgia: Hsiteroscopia, laparoscopia, laparotomia (minilaparotomia);

7) Dr. Aoki finalizou sua apresentação passando um recado importante: “A conversão para laparotomia não é complicação. É bom senso”;

8) Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino à Distância de Telemedicina da FCMSCSP) tomou a palavra e fez a seguinte pergunta: “Esta paciente entrou com problema de fertilidade para avaliação e, então, descobriu-se que ela tinha um mioma uterino. A quantidade de exames necessários para fazer a investigação às vezes não é disponível a maioria dos serviços. Quanto que esse tipo de doença representa para a área de obstetrícia e como orientar o Serviço de Saúde a otimizar a utilização desses recursos?” Dr. Aoki respondeu: “O mioma junto com a dor pélvica, além dos corrimentos, é a coisa mais frequente na vida do ginecologista. A anamnese, o exame ginecológico bem realizado já vão facilitar o diagnóstico.” Dr. Eduardo Sadao tomou a palavra novamente e fez mais algumas perguntas. Passou, então, a palavra às entidades participantes, as quais fizeram seus comentários, questionamentos e debateram sobre o tema, tendo obtido respostas muito pertinentes do Prof. Dr. Tsutomu Aoki. O debate poderá ser melhor acompanhado através do vídeo do evento que se encontra na página do projeto EDUCASUS www.educasus.org.br. Dr. Sadao agradeceu a presença de todos e deu por encerrada a sessão.


PARTICIPANTES NA FACULDADE:
Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino à Distância de Telemedicina da FCMSCSP)

ENTIDADES PARTICIPANTES:
SANTA CASA DE MIS. DE ITAPEVA – (Funcionários representando Dr. Gilberto Luiz Castro Vinhas – Coord. Científico); IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE LORENA – (Funcionária representando Dr. José Waldyr Fleury de Azevedo – Coord. Científico); IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE MARÍLIA (Enfermeira Luiza Helena Pereira Mazetto – Responsável pela Oncologia da entidade); IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE PIRACICABA (Valdirene C. Garcia – Obstetra da Maternidade da Santa Casa); IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE SOROCABA – não linkado; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE VOTUPORANGA - ausente; FEHOSP (Maria Fátima da Conceição - Gerente Técnica); HOSPITAL SÄO LUIZ GONZAGA (Dr. André Ramos Neto – Coord. Científico); e HOSPITAL GERAL DE GUARULHOS – não linkado.

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