Área do Usuário

Doenças Anogenitais Relacionadas ao HPV

Informações do Evento

Localidade: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo
Data: 02/12/2009
Período: das 11:00 às 12:00
Coordenador do Evento: Eduardo Sadao Yonamine
Palestrante(s): Dra. Adriana Bittencourt Campaner - Doutora pela FCMSCSP, Médica Assistente do Departamento de Ginecologia da ISCMSP e Chefe do Setor de Patologia do Trato Genital Inferior, Dr. Sidney Roberto Nadal - Professor Voluntário do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Detalhes do Evento:

A Dra. Adriana Bittencourt Campaner iniciou a videoconferência lembrando que iria falar sobre HPV, a qual é uma doença causada por um vírus que acomete mucosas na pele e atinge a parte do trato genital inferior. Em relação ao trato genital inferior, é importante lembrar que o HPV tem alguns tipos de infecção que podem acometer o trato genital inferior. O tipo principal e mais conhecido é a infecção clínica, ou seja, aquela evidenciável a olho nu, sendo que a morfologia, o número e o tamanho das lesões são variáveis. A vulva é a principal e mais frequente área atingida pelos sintomas, e é a partir daí que os pacientes vão procurar ajuda. A infecção sub-clínica é aquela diagnosticada a partir de alterações citológicas encontradas pelo exame Papanicolau e a fórmula latente é obtida através do diagnóstico biomolecular. Deve-se lembrar que em relação à parte ginecológica ao trato genital condiloma que é o visível, este representa 1% das infecções do HPV. A doutora deu exemplo: como se fosse um iceberg. Ou seja, a parte visível é a menor parte, sendo que as infecções sub-clínicas e as formas latentes são a maior parte. Lembrou que 60% da população já obteve este vírus, felizmente, grande parte foi eliminada;

2) Dra. Adriana apresentou um caso de condiloma genital. Frisou que ele pode ter lesões pequenas na vulva, chegando a lesões maiores. A vagina também pode ser acometida pelo condiloma, assim como o colo uterino. Então, essas são as formas visíveis sendo este o motivo pelo qual o paciente vai procurar um médico. Existem diversos tipos de tratamento, alguns deles são formas químicas, além de métodos físicos. Muitas vezes a paciente procura tratamento porque ela tem a forma clínica. Em alguns casos, no entanto, existe uma descoberta do médico, a qual é chamada de infecção sub-clínica. Algumas vezes o próprio ginecologista examinando esta paciente não encontra nada. Existem algumas alterações quando a paciente vai recorrer à citologia. Então, pode-se observar que há uma citologia normal, com células normais de uma coleta. A paciente vem para uma rotina, por isso que é importante a coleta de citologia rotineira, a fim de descobrir essa alteração. O profissional de saúde encaminha a paciente para avaliação de colposcopia, através do qual é possível descobrir essas alterações sub-clínicas. Destacou algumas imagens explicando cada uma delas. Então, com isso fica mais fácil descobrir as lesões sub-clínicas e fazer uma biopsia. Geralmente a biopsia irá evidenciar simplesmente a presença do vírus HPV ou pode ter um desenvolvimento das neoplasias intra-epiteliais, que são as lesões pré-malignas e que podem ser de vulva, vagina e colo. Demonstrou o grau das neoplasias intra-epiteliais. Essas lesões são aquelas precursoras que HPV pode desencadear, sendo que seu tratamento evita o desenvolvimento do câncer dessa região;

3) Dra. Adriana frisou que também está relacionado ao HPV o câncer genital, que pode ser da vulva, vagina e do colo do útero. Destacou um caso de câncer vulvar. O que se sabe hoje é que a vulva não está tão relacionada ao HPV, assim como a vagina. Agora, sobre o colo do útero é importante lembrar que estas são estimativas do INCA, mostrando que no ano de 2008, o colo uterino foi o segundo tumor mais frequente. A doutora destacou que este é um tumor evitável, o qual, caso sejam tratadas das lesões pré-malignas, ele não irá evoluir para um câncer. Demonstrou que há diversas lesões e cirurgias relacionadas ao câncer e ao HPV. Enfatizou que os estudos atuais têm mostrado que o HPV tem que estar presente no caso do câncer do colo do útero para o desenvolvimento do tumor, o qual é um pouco diferente da vagina. Esse é um aspecto importante relacionado ao HPV no trato genital inferior. Passou, então, a palavra ao Dr. Sidney, para que ele desse continuidade à apresentação;

4) Dr. Sidney Roberto Nadal tomou a palavra lembrando que iria falar sobre Doenças Anogenitais Relacionadas ao HPV. Frisou que é possível notar que é muito fácil e simples o diagnóstico, e os profissionais de saúde podem observar na região anal desde lesões pequenas ou lesões sempre peliculadas. Essas lesões podem tomar formas mais agressivas, maiores e mais amplas, e com tamanhos desproporcionais, cobrindo o ânus e dificultando sua visão. Apresentou alguns casos e imagens explicando cada um deles;

5) Dr. Sidney destacou que nas regiões anais ocorrem as lesões sub-clinicas. Elas são chamadas de neoplasias intra-epiteliais anais obtidas através do diagnóstico do estudo patológico. Quando se fala de doença de Bowen, Papulose Bowenóide e Eritroplasia de Queyrat, na verdade, o patologista identificou uma neoplasia moderada ou avançada, também chamada de neoplasia intra-epitelial anal de alto grau, conhecida ainda como carcinoma “IN SITU”, uma expressão macroscópica visual do que representa o anatomo patológico e a neoplasia intra-epitelial anal;

6) Dr. Sidney relatou como é possível fazer o diagnóstico, através de exame físico, na visão direta, notando as lesões que são características. A citologia, como já comentado anteriormente, é obtida através da raspagem e pode revelar o mesmo padrão de células. A histopatologia é necessária quando se encontra uma lesão que é diferente ao utilizar os métodos de coloração. Nesse caso, utiliza-se o colposcópio para avaliar estes casos e os métodos de identificação de DNA servem para assimilar se o DNA do HPV leva a um HPV de alto grau ou de baixo grau, para a produção de carcinoma no futuro. Quanto ao tratamento, ele pode ser tópico e podem usar os métodos a partir das operações. Entre os tópicos temos: cáusticos (podofilina), imunomoduladores (imiquimode), métodos ablativos (cirurgia), eletrocautério e o laser. Frisou que é muito importante que se faça um segmento. O segmento é feito a partir do exame proctológico com a citologia do canal anal, e com a colposcopia anal. Os objetivos são detectar as recidivas que são muitas, principalmente, para os pacientes de HIV positivo, além de detectar as neoplasias intra-epiteliais anais;

7) Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino à Distância de Telemedicina da FCMSCSP) tomou a palavra e fez a seguinte pergunta: “Com relação à incidência de lesões graves que vocês têm observado muito em nossos ambulatórios, qual seria a campanha de formação que vocês sugeririam para começar a diminuir essa incidência? Por exemplo, temos várias campanhas que são realizadas sobre o infarto do miocárdio, também há aquelas que pedem que se faça avaliação cardiológica anual, campanhas para neoplasia de próstata, para que se faça seu exame de próstata a partir dos quarenta anos. Então, são várias campanhas como estas. O que vocês sugerem para o HPV?” Dra. Adriana respondeu: “Da parte ginecológica, já temos essas campanhas. Por exemplo, nesse ano dois casos de câncer de vulva foram diagnosticados, o que é muito pouco. Já o de vagina não tivemos nenhum. Então, nós sabemos que estes casos são mais difíceis. Agora, o câncer de colo, que é o segundo caso de câncer em mulheres, este é uma desgraça. Sua prevenção é o Papanicolau. O SUS já desenvolve essas campanhas, mas acho que há vários fatores incluídos no site do INCA em relação à coleta de citologia nos dois anos anteriores. Hoje, o que está acontecendo com o médico de família é que quem colhe a citologia é o enfermeiro, sem desmerecê-los. Mas às vezes o enfermeiro colhe e a sensibilidade dele não é de 100%, e o que acontece é que o médico só verá o resultado da citologia, sem olhar para a paciente. Isso é uma falha.” Dr. Eduardo Sadao fez mais algumas perguntas e passou a palavra às entidades participantes, as quais fizeram seus comentários, questionamentos e debateram sobre o tema, sendo que as Santas Casas de Votuporanga e de Itapeva deram introdução a este assunto. Todas elas obtiveram respostas muito pertinentes da Dra. Adriana Bittencourt Campaner e do Dr. Sidney Roberto Nadal. O debate poderá ser melhor acompanhado através do vídeo do evento que se encontra na página do projeto EDUCASUS www.educasus.com.br. Dr. Sadao agradeceu a presença de todos e deu por encerrada a sessão.


PARTICIPANTES NA FACULDADE:
Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino à Distância de Telemedicina da FCMSCSP)

ENTIDADES PARTICIPANTES:
SANTA CASA DE MIS. DE ITAPEVA; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE LORENA – não linkado; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE MARÍLIA – não linkado; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE PIRACICABA – não linkado; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE SOROCABA; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE VOTUPORANGA; FEHOSP (Maria Fátima da Conceição); HOSPITAL SÄO LUIZ GONZAGA – não linkado; HOSPITAL GERAL DE GUARULHOS – ausente; SANTA CASA DE MIS. DE RIBEIRÃO PRETO – não linkado; SANTA CASA DE MIS. DE BARRETOS; FUNDAÇÃO AMARAL CARVALHO / JAÚ – não linkado; SANTA CASA DE MIS. DE OURINHOS – não linkado; SANTA CASA DE MIS. DE FRANCA; SANTA CASA DE MIS. DE SANTOS; CASA DE SAÚDE SANTA MARCELINA – não linkado

Rua Libero Badaró, 158 - 6 andar - São Paulo - SP - CEP: 01008-000
Fone: 11 - 3242-8111 Fax: 11 - 3112-0554.