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História Natural das Infecções por HPV em Mulheres e Homens

Informações do Evento

Localidade: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo
Data: 01/12/2009
Período: das 11:00 às 12:00
Coordenador do Evento: Eduardo Sadao Yonamine
Palestrante(s): Phd. Luisa Lina Villa - Coordenadora do INCT-HPV, Professora da FCMSCSP, Membro da Academia Brasileira de Ciências,Chefe do Grupo de Virologia do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer desde 1983.

Detalhes do Evento:

1) A Dra. Luisa Lina Villa iniciou a videoconferência agradecendo o convite para participar do projeto;

2) Dra. Luisa destacou que o HPV é a sigla de papilomavírus humano. Lembrou que são muitos os tipos de HPV, e na verdade, esses vírus causam diversas doenças em humanos. Enfatizou que é possível separar essa família grande de vírus com mais de cento e vinte tipos classificados. São eles: Tipos de alto risco ou de baixo risco, ou oncogênico, ou seja, os de baixo risco têm uma probabilidade pequena de causar doenças neoplásicas ou malignas, propriamente ditas. Porém, as de baixo risco causam as verrugas comuns, verrugas em bordas anais, até mesmo as muito grandes no colo de útero. Os tipos mais comuns são 6 e11, além da papilomatose respiratória recorrente, uma patologia rara e de alta morbidade. Os tipos de alto risco oncogênico, por outro lado, estão associados a vários cânceres. Os HPVs de alto risco oncogênico também causam tumores no ânus, pênis, vulva, vagina, orofaringe;

3) Dra. Luisa apresentou as principais características destas infecções pelo HPV, lembrando que a maioria são assintomáticas. Centenas de milhões de indivíduos se infectam por HPV, mas não apresentam nenhum sintoma. Frisou que é importante que se diga que as infecções virais não causam lise celular ou outros efeitos citopáticos. Entre a infecção inicial e o desenvolvimento do tumor podem passar muitos anos. A transformação está associada à expressão contínua de duas proteínas virais E6 e E7, que são capazes de se ligar a diversas proteínas celulares, inclusive inibindo a resposta imune. Portanto, são vírus que escapam ao sistema imune e persistem no organismo. De fato, a persistência da infecção (presença do DNA dos vírus de alto risco) é o principal fator para desenvolvimento da doença na região genital. Estas infecções são muito comuns e afetam centenas de milhões de indivíduos a cada ano em todo o mundo. Apresentou algumas estatísticas de números epidemiológicos obtidos em todo o mundo;

4) Dra. Luisa destacou em um gráfico a taxa de presença de DNA do HPV em mulheres na faixa de 18 a 30 anos, e até mesmo em maiores de 50 anos. Nesse estudo foi provado que, principalmente, as jovens estão sendo infectadas, sendo que as taxas de presença de DNA do HPV caem com a idade. Essa situação também ocorre com a idade do sistema imune, sendo que na maioria das mulheres é capaz de controlar estas infecções, ocorrendo um leve aumento a partir de 45 a 50 anos. Isso talvez reflita uma queda natural destas mulheres, podendo estar relacionado a uma queda no hábito sexual destas mulheres. Nesse estudo ficou muito claro que em mulheres que apresentam o HPV, existe a tendência natural de eliminação do vírus. Como história natural de aproximadamente 18 meses, desde sua infecção, a grande maioria destas mulheres eliminou o vírus, em uma proporção entre 10 e 15%;

5) Dra. Luisa demonstrou um modelo que coloca como central as infecções persistentes por HPV de alto risco, como aquelas causas que levam ao aparecimento de doença, além de uma série de outros fatores importantes, como: fumo, uso de contraceptivos orais e outras doenças de transmissão sexual. São estas variáveis de riscos que levam, então, à história natural do câncer do colo de útero, a qual é causada por estes HPVs de alto risco oncogênico. Essa história, ou seja, esse grande conhecimento de como os HPVs funcionam ao causar tumores, impulsionou estudos epidemiológicos, que levaram à missão de desenvolvimento de vacinas profiláticas, aos quais, ao impedirem esses tipos de HPVs, poderão impedir o aparecimento de doenças tão importantes;

6) Dra. Luisa passou a falar sobre a prevalência que ocorre em homens. Destacou que esse é um estudo que está sendo conduzido no Brasil pelo grupo de pesquisa do Instituto Ludwing, juntamente com pesquisadores do México e dos EUA, o que mostra nos diferentes países uma alta taxa de DNA de HPV no pênis e escroto destes homens. As taxas são semelhantes, um pouco maiores no Brasil, com uma proporção bem elevada, com mais de 60% no pênis e escroto destes homens. Nesse caso, é muito frequente que os homens tenham infecções por HPV e que, diferentemente das mulheres, estas infecções parecem não ter dependências por idade. A relevância nos homens ainda está sendo estudada. Finalizou afirmando que há o envolvimento com o Instituto do HPV a fim de realizar outros estudos entre diferentes instituições, como, por exemplo, o Instituto da Santa Casa de São Paulo, onde são utilizados testes de HPV como alternativa no rastreamento do câncer de colo do útero. Lembrou que a melhor a forma de se prevenir deste câncer é através do exame papanicolau. Destacou, por fim, que o web site estará disponível para mais informações;

7) Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino à Distância de Telemedicina da FCMSCSP) tomou a palavra e fez a seguinte pergunta: “Gostaria que a doutora colocasse um pouco mais sobre a motivação quanto ao Instituto HPV, quais seus principais objetivos, o planejamento do HPV para que todas as Santas Casas saibam desses projetos e possam estar incorporando isso ao seu dia a dia e a seus projetos locais.” Dra. Luisa respondeu: “O Instituto do HPV, que foi criado em novembro de 2008, e sendo um Instituto com demanda do governo federal, contando também com recursos deste governo, além da FAPESP, é um Instituto que deve se dedicar ao ensino, pesquisa, a educação ampla sobre HPV. Nesse sentido, estaremos fazendo alguns projetos, mas também trabalhando no desenvolvimento e na busca de marcadores, para um melhor conhecimento do HPV e de suas doenças. Penso que uma missão nossa muito importante é a educação, por isso, estamos aqui nesse programa tão importante que é o EDUCASUS, mas também educação em diferentes níveis, desde projetos de iniciação científica, mas educação na graduação e pós-graduação, até com os problemas de doutorado, a fim de fazer pesquisa básica e aplicada no que se refere ao HPV e suas doenças. E um programa inicialmente de três anos, onde estaremos divulgando todas essas iniciativas através de um web site aberto ao público. Estaremos realizando essas atividades aqui na Santa Casa. Teremos que ter sede própria em torno de um ano. Estamos realizando estas atividades com algumas instituições.” Dr. Eduardo Sadao tomou a palavra fez mais algumas perguntas e passou às entidades participantes, as quais fizeram seus comentários, questionamentos e debateram sobre o tema, tendo obtido respostas muito pertinentes da Dra. Luisa Lina Villa. O debate poderá ser melhor acompanhado através do vídeo do evento que se encontra na página do projeto EDUCASUS www.educasus.com.br. Dr. Sadao agradeceu a presença de todos e deu por encerrada a sessão.


PARTICIPANTES NA FACULDADE:
Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino à Distância de Telemedicina da FCMSCSP)

ENTIDADES PARTICIPANTES:
SANTA CASA DE MIS. DE ITAPEVA; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE LORENA – não linkado; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE MARÍLIA – não linkado; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE PIRACICABA; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE SOROCABA; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE VOTUPORANGA – não linkado; FEHOSP; HOSPITAL SÄO LUIZ GONZAGA – não linkado; HOSPITAL GERAL DE GUARULHOS; SANTA CASA DE MIS. DE RIBEIRÃO PRETO – não linkado; SANTA CASA DE MIS. DE BARRETOS; FUNDAÇÃO AMARAL CARVALHO / JAÚ – não linkado; SANTA CASA DE MIS. DE OURINHOS; SANTA CASA DE MIS. DE FRANCA; SANTA CASA DE MIS. DE SANTOS – não linkado; CASA DE SAÚDE SANTA MARCELINA – não linkado

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