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Tabagismo e Doenças Cardiovasculares

Informações do Evento

Localidade: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo
Data: 03/09/2009
Período: das 11:00 às 12:00
Coordenador do Evento: Eduardo Sadao Yonamine
Palestrante(s): Dra. Jaqueline Scholz Issa - Doutora em Cardiologia pela USP; Diretora do Programa Ambulatorial de Tratamento do Tabagismo do Incor

Detalhes do Evento:

1) A Dra. Jaqueline Scholz Issa iniciou a videoconferência ressaltando que iria falar sobre Tabagismo e Doenças Cardiovasculares, e os Efeitos Cardiovasculares do Tabagismo;

2) Dra. Jaqueline começou a apresentação ressaltando a Fisiopatologia. O tabagismo causa doenças cardiovasculares e disfunção endotelial, devido à presença de nicotina. Ocorre vasodilatação dependente do endotélio. O tabagismo aumenta o risco de trombogenicidade. O fator tissular está presente nas placas ateroscleróticas e pode participar da trombose. O fator tissular foi avaliado pelo acréscimo do fator Xa. Fumantes têm maiores níveis de fator tissular circulante que não fumantes. O fator tissular pode estar presente também no sangue, tendo papel na propagação da trombose. Síndromes coronárias agudas estão associadas com perturbação de lesão de aterosclerose e formação de trombose. Foi feita uma avaliação se fumar a longo prazo é associado com função vasodilatadora endotelial prejudicada, independente se pré-existente doença aterosclerose. Os vasos sanguíneos foram distinguidos como normal ou irregular, de acordo com sua aparência. Os pacientes foram excluídos do estudo se tiveram evidência maior que 30% de estenose no descender anterior esquerdo da artéria coronária ou histórico de angina variante, doença de coração, evidência de insuficiência cardíaca, ou diabetes. As mudanças de diâmetro da artéria foram utilizadas para avaliara a dilatação fluxo-dependente;

3) Dra. Jaqueline destacou a Disfunção Endotelial Epicárdica, relacionada à história de tabagismo. Sem a evidência de doença da artéria coronária, há mais possibilidade de ter disfunção endotelial epicárdica do que os não fumantes. Numa tentativa de estabelecer se fumar está associado com esta disfunção, foram avaliados 881 pacientes com dor de peito, que não tiveram evidência de CAD. Os pacientes consistiam em 115 fumantes, e 766 ex-fumantes e não fumantes. 46% dos fumantes foram diagnosticados com disfunção endotelial epicárdica, 34% de ex-fumantes, e 35% de não fumantes. Lembrou também a redução de biosíntese de óxido nítrico. O óxido nítrico não é a substância primária de vasodilatação produzida por células endoteliais. Frisou que o monóxido de carbono impede a oxigenação do organismo. A concentração de monóxido de carbono é proporcional à quantidade de cigarros fumados. Ao parar de fumar, em no máximo 72 horas, os níveis de monóxido são iguais aos dos não fumantes;

4) Dra. Jaqueline ressaltou o papel multiplicador dos fatores de risco para doença coronária. Os fatores de riscos retratados no estudo: Tabagismo, hipercolesterolemia ou hipertensão, isolados; Tabagismo + hipercolesterolemia ou hipertensão; Hipercolesterolemia + hipertensão; todos os três fatores de risco. Falou ainda sobre o aumento da mortalidade por doença coronária. O risco de CAD fatal pode estar relacionado à quantia fumada. Comparado a não fumantes, o risco relativo idade-ajustado de CAD fatal, aumento com o crescimento do uso diário do cigarro. Lembrou os efeitos na doença coronariana. Progressão de lesões existentes: 37% de pacientes não fumantes, e 57% de pacientes fumantes. Formação de novas lesões: 20% de pacientes não fumantes, e 36% de pacientes fumantes;

5) Dra. Jaqueline comentou o aumento do risco de angina. Os não fumantes tem risco 1,0. Aqueles que fumam de um a catorze cigarros por dia, têm risco de 1,6. Aqueles que fumam de 15 a 24 cigarros por dia, tem risco de 2,0. Já aqueles que fumam mais de 25 cigarros por dia, têm risco de 2,6. O risco de morte súbita cardíaca é de 1,0 em não fumantes, e de 2,3 em fumantes. Dra. Jaqueline passou a falar sobre o tabagismo de doença arterial periférica e aneurisma de aorta abdominal. A doença vascular periférica afeta 20% dos adultos maiores de 55 anos. 5 a 10% dos pacientes assintomáticos podem progredir para DVP sintomática em cinco anos. Pacientes com DVP sintomática têm maior tendência para outras doenças cardiovasculares e maior mortalidade. Com relação à doença vascular periférica assintomática, os não fumantes apresentam risco de 1,0; os ex-fumantes, risco de 1,6; e os fumantes, risco de 2,8. Destacou também o risco de aneurisma de aorta abdominal;

6) Dra. Jaqueline passou a falar sobre tabagismo e acidente vascular encefálico. Fumantes e tabagismo ocupacional estão associados ao aumento da progressão da aterosclerose cartídea. Há a progressão do espessamento das camadas íntima e média. Comentou que o aumento de risco de AVC fatal e não fatal em mulheres, está relacionado com a quantidade de cigarros fumados por dia. Por fim, destacou o tabagismo passivo e doença cardiovascular. Efeitos do tabagismo ocupacional na doença cardiovascular: maior risco de doença cardíaca, menor função plaquetária e endotelial, maior endurecimento arterial, maior aterosclerose, maior estresse oxidativo, maior inflamação, menor variabilidade cardíaca, menor metabolismo energético, tamanho do infarto. Tabagismo passivo aumenta o risco de doença cardíaca em 30% nos não fumantes. Exposição aguda ao tabagismo ocupacional reduz significantemente a reserva de fluxo coronariano em não fumantes. Exposição ao tabagismo ocupacional aumenta o risco de IAM não fatal de modo progressivo em não fumantes;

7) Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino à Distância de Telemedicina da FCMSCSP) tomou a palavra e fez a seguinte pergunta: “Realmente é verdade a história de que quem fuma não morre sozinho, leva o amigo passivo junto. Você colocou que o ex-fumante demora um tempo de recuperação da função endotelial. É estimado um tempo para essa recuperação?” Dra. Jaqueline respondeu: “A função endotelial é uma das coisas que tem recuperação rápida. Por isso, no período de até um ano, você já tem uma redução de cerca de 50% de eventos cardiovasculares. O que explica esta redução tão expressiva, primeiro é função endotelial, e segundo é a redução do monóxido de carbono.” Dr. Eduardo Sadao fez mais algumas perguntas e, então, passou a palavra às entidades participantes, as quais fizeram seus comentários, questionamentos e debateram sobre o tema, tendo obtido respostas muito pertinentes da Dra. Jaqueline Scholz Issa. O debate poderá ser melhor acompanhado através do vídeo do evento que se encontra na página do projeto EDUCASUS www.educasus.org.br. Dr. Sadao agradeceu a presença de todos e deu por encerrada a sessão.


PARTICIPANTES NA FACULDADE:
Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino à Distância de Telemedicina da FCMSCSP)

ENTIDADES PARTICIPANTES:
SANTA CASA DE MIS. DE ITAPEVA (Funcionários representando Dr. Gilberto Luiz Castro Vinhas – Coord. Científico da entidade); IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE LORENA (Dr. José Wladyr Fleury de Azevedo – Coord. Científico da entidade); IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE MARÍLIA – não linkado; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE PIRACICABA (Sr. Othoniel Roberto Cavion – Coordenador Administrativo da entidade); IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE SOROCABA (Anderson – Enfermeiro da entidade); IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE VOTUPORANGA – não linkado; FEHOSP (Maria Fátima da Conceição – Gerente Técnica); HOSPITAL SÄO LUIZ GONZAGA – não linkado; HOSPITAL GERAL DE GUARULHOS – não linkado; SANTA CASA DE MIS. DE RIBEIRÃO PRETO (Dr. Nelson Veja - Pneumologia)

Rua Libero Badaró, 158 - 6 andar - São Paulo - SP - CEP: 01008-000
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